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“O nosso caminho é feito de força”, AMB lança campanha em homenagem às mulheres do Judiciário

São histórias que representam a superação do corpo de magistradas no Brasil

Há mais de um século, o mundo institucionalizou o dia 08 de março como uma data comemorativa para dizer que as mulheres existem na sociedade. Geralmente, o que tem separado o ideal – o gênero feminino pari passu com o homem – da realidade é a sociedade estruturalmente patriarcal. Com isso, retomar o debate sobre a representatividade delas nos espaços de poder é substancialmente relevante para construção do espelhamento da mulher, neste lugar, que empodera outras a conquistarem novos territórios na vida.

Segundo dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) 2019, o número de mulheres no Brasil é superior ao de homens. As mulheres ocupam 51,8% da fatia populacional e os homens 48,2%.

Apesar da maioria da sociedade ser formada por mulheres, elas são minoria em espaços de poder. Para se ter ideia, o país ocupa a 161ª posição no Ranking da Presença Feminina no Poder Executivo, dentre as 186 nações analisadas pelo Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI) – 2018. O ranking é baseado em um índice que sintetiza dados que medem a representatividade feminina nas chefias de governo. Os dados são baseados em informações das Nações Unidas, do Banco Mundial e do instituto de pesquisas The Heritage Foundation. No campo legislativo, o Brasil ocupa o 140º lugar no ranking de países com maior representação feminina. Ao todo são 191 nações incluídas dentro do levantamento. A pesquisa é da ONU (Organização das Nações Unidas). No Judiciário, as magistradas ainda são minoria. Em 2019, o Conselho Nacional de Justiça divulgou o “Diagnóstico da Participação Feminina no Poder Judiciário”. A pesquisa mostrou que as mulheres representam o percentual de 38.8%.

Quando se trata de violência contra mulher, os números assustam. Os canais Disque 100 e Ligue 180 registraram 105.671 denúncias de violência contra a mulher em 2020. O número representa um registro a cada cinco minutos. O dado foi divulgado pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos .

Este é o cenário desafiador da mulher no Brasil. Para a semana da mulher, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) elaborou uma campanha institucional para homenagear juristas que superaram as adversidades para conquistar novos espaços na vida. São personagens reais que representam a superação de muitas magistradas que compõe o Sistema de Justiça.

A primeira entrevistada da série de depoimentos é a presidente da AMB Renata Gil.

Filha de professora e um delegado, Renata Gil nasceu em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. O sonho de ser juíza foi realizado aos 26 anos. De lá para cá, ela tem influenciado o país com ideias inovadoras de combate a violência contra mulher. Em junho de 2020, a presidente junto com a diretora da AMB Mulheres, Domitila Manssur idealizaram a campanha Sinal Vermelho. Com o apoio da procuradora regional da República e conselheira do CNJ à época, Maria Cristina Ziouva, a campanha ganhou força. Com um “X” vermelho nas mãos, é possível a vítima denunciar o agressor em farmácias e cartórios eleitorais para pedir socorro.

Outra iniciativa de destaque foi o Pacote Basta, idealizado pela presidente, que propõe ao Legislativo punições mais rigorosas para quem agride mulheres. Com isso, Renata tem rompido com os paradigmas dentro do Poder Judiciário. Após sete décadas da AMB ter a cadeira presidencial ocupada por homens, a magistrada quebra o ciclo patriarcal.

Em sua jornada de vida, a força tem sido a mola propulsora para conquistar lugares ousados na história do Brasil.

Fonte: AMB