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Juízas afegãs ameaçadas pelo Talibã e recebidas em Brasília fazem CPF

Documento permite que elas tenham acesso a serviços básicos. Magistradas chegaram à capital na semana passada, e receberam vistos humanitários no país.


As sete juízas afegãs ameaçadas pelo Talibã, e os familiares delas, que conseguiram vistos humanitários no Brasil, emitiram CPF nesta semana. Com a medida, o grupo, que ao todo conta com 26 pessoas, poderá ter acesso a serviços como plano de saúde, abertura de contas bancárias e matrículas em escolas.






O grupo chegou a Brasília no dia 21 de outubro. Segundo a Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), que tem coordenado o processo de acolhimento dessas famílias, a emissão do CPF era o primeiro passo no Plano de Ação Humanitária, de integração à vida no país.




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"Eles são livres para ir e vir, e, no nosso país, terão todo o suporte. O Brasil é uma nação que sabe ser solidária. Por isso, pedimos a ajuda de todos”, declarou a presidente da AMB, Renata Gil.



O plano também prevê que os afegãos façam aulas de português – que já tiveram início – com professores da Universidade de Brasília (UnB) e sejam incluídos no mercado de trabalho. "Muitos falam inglês e passaram anos estudando – inclusive, no exterior. Enquanto não puderem sustentar as próprias famílias, um direito básico, vamos apoiá-los", diz Renata Gil.


A ação humanitária é em parceria com o governo federal e também é acompanhada pela Secretaria de Justiça e Cidadania do DF (Sejus). Segundo a pasta, o governo local vai oferecer acompanhamento social, psicológico, de saúde, ensino e documentação às mulheres afegãs e familiares.




O Talibã é conhecido como grupo fundamentalista que, em uma primeira passagem no governo do Afeganistão, nos anos 1990, restringiu direitos básicos das mulheres, impedindo-as de terem acesso ao mercado de trabalho, à educação e até de frequentar espaços públicos sem a presença dos maridos.





Em agosto deste ano, o grupo voltou a tomar o governo do país, após 20 anos de intervenção norte-americana. Primeiro, fizeram promessas de uma gestão mais moderada e mais flexível com relação aos direitos das mulheres. Na prática, no entanto, a repressão de gênero tem continuado.





No começo de outubro, a jogadora de vôlei Mahjabin Hakimi foi decapitada porque se negou a seguir as regras do grupo extremista islâmico.


Fonte: G1