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Janeiro Branco chama a atenção da magistratura para importância da saúde mental

Janeiro é o mês dedicado à conscientização a respeito da saúde mental, cada vez mais reconhecida como uma prioridade global de saúde. Para chamar a atenção sobre o tema e reforçar a importância dos cuidados, sobretudo neste contexto vivido em decorrência da pandemia do novo Coronavírus, a campanha Janeiro Branco foca mais uma vez a necessidade de reflexão e da conscientização de todos às questões relacionadas à saúde emocional e psíquica da população. A magistratura também tem se preocupado com a questão.

No último levantamento realizado pelo CNJ, em 2020, sobre a saúde mental de magistrados e servidores, dos quase 47 mil participantes, 42,3% informaram que tiveram piora no humor no contexto da pandemia e 48% tiveram alteração na rotina do sono. Entre os sentimentos mais intensos, o medo atingia 50% dos participantes. Outros sentimentos frequentes foram desânimo (36%), gratidão (33%), vontade de ajudar (32%) e esperança (30%). Em dezembro deste ano, uma nova pesquisa foi realizada, e deve ser divulgada em fevereiro.

A presidente da Associação dos Magistrados da Bahia (AMAB), juíza Nartir Weber, lembra que um dos pontos abordados na pesquisa do ano passado também foi o cansaço, já que 47,8% declararam se sentir mais cansados do que antes de a pandemia começar. “Isto reflete a carga de trabalho da magistratura e mostra que a produtividade continuou elevada, mesmo com o teletrabalho”, enfatizou.

Burnout – Cada vez mais comum, a Síndrome de Burnout (SB), também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, foi recentemente incluída na nova Classificação Internacional de Doenças (CID). No mundo moderno, ela vem sendo cada vez mais diagnosticada, mas nem todos têm consciência que estão sofrendo de um problema que precisa ser enfrentado. Sensação de desânimo, cansaço, irritabilidade, insônia, isolamento, sentimento de desesperança, frustração e falta de motivação estão entre os sintomas que podem estar presentes na vida de muitos profissionais. A expressão “burn out” significa queima completa, sugerindo que o profissional portador dessa síndrome se consumiu física e emocionalmente. Trata-se, segundo ela, de uma reação à tensão emocional crônica, por trabalho exaustivo.

Os profissionais de saúde destacam para a necessidade de as pessoas exercerem os fatores que cientificamente são eficazes e de proteção, como a atividade física e a higiene do sono. Importante também cuidar do lado espiritual. Seja qual for a denominação, é bom estar com o lado espiritual valorado nesse período. Os profissionais aconselham também a leitura de livros e não deixar de fazer o que dá prazer, quando possível. Importante ainda procurar um profissional de saúde mental, seja um psicólogo, psicoterapeuta, terapeuta ocupacional ou psiquiatra, para entender os problemas e receber as melhores orientações.

Recomendações:

  • Reconheça e acolha seus receios e medos, procurando pessoas de confiança para conversar;
  • Invista em exercícios e ações que auxiliem na redução do nível de estresse agudo, como meditação, leitura, exercícios de respiração, entre outras;
  • Fique atento a suas necessidades básicas, garantindo pausas sistemáticas durante o trabalho;
  • Invista e estimule ações compartilhadas de cuidado, como as ações solidárias e de cuidado familiar e comunitário;
  • Mantenha ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato com familiares, amigos e colegas;
  • Evite o uso do cigarro, álcool ou outras drogas para lidar com as emoções;
  • Busque um profissional de saúde quando as estratégias utilizadas não estiverem sendo suficientes para sua estabilização emocional